“Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa
mudar o mundo.
De fato, sempre foi assim que o mundo mudou”
Margarite Mead
Não é mais possível desenvolver dois conjuntos paralelos de medidas, um para responder às necessidades sociais – “salvar a humanidade” – e outro para responder aos danos ecológicos “salvar o planeta”. O objetivo atual é combinar essas duas exigências solidárias na perspectiva de ação conhecida como socioambiental. A percepção da existência de limites do planeta, da degradação e dos riscos ecológicos, bem como das suas dramáticas conseqüências para a humanidade, nos força, desde já, a repensar as relações entre sociedade-natureza e a considerar danos ignorados por muito tempo.
Expanda seus conhecimentos sobre a preservação da vida na Terra. Reflita sobre nosso impacto como indivíduo e sociedade. Prepare-se para contribuir com a mudança.
Entre 22 e 25 de setembro, o Planeta.doc Conferência vai transformar Florianópolis em um polo de ideias, experiências e encontros dedicados à regeneração do planeta e à construção de uma nova relação entre sociedade e natureza A conferência reunirá pensadores, cientistas, pesquisadores, artistas, ativistas e estudantes para imaginar futuros possíveis e fortalecer ações concretas frente à crise socioambiental.
Confira a nossa programação
de 22 a 25 de setembro de 2025
O Planeta.doc Conferência 2025 está chegando. Inspire-se. Transforme-se. Ouse transformar!
LEONARDO BOFF
LETICIA MERINO
HUGO ROMERO
ANTONIO WOLKMER
INGRID SATERÉ MAWÉ
JOÃO RIVELINO BARRETO
LADISLAU DOWBOR
BELINDA PEREIRA DA CUNHA
MARQUITO
MARÍLIA GAIA
CARLOTA MINGOLLA
ANTONIO MAURO SARAIVA
CRISTIANE DERANI
PAULO HORTA
SAULO AIRES
HELENA NASPOLINI
LUIZ SCHEIBE
JULIO DE TORRES
ANA CLÁUDIA CARDOSO
LEON HENRIQUE ROMERO
IVO POLETTO
MILENA VEIGA
BRUNA KADLETZ
MARCOS WOORTMANN
THAÍSA LEAL DA SILVA
RAFAEL DEVOS
CÉLIO BERMANN
LAURO ANDRÉ RIBEIRO
ANA PAULA FRACALANZA
RENATO DAGNINO
MARCOS SORRENTINO
RICARDO RUTHER
ROBERTO DONATO DA SILVA JUNIOR
ANDREI CECHIN
EDUARDO CÉSAR VIEIRA
EUGÊNIO LUIZ GONÇALVES
ANDRÉ GILES
CAMILA MORENO
EDA TEREZINHA TASSARA
.KEREXU YXAPYRY
JACQUES MICK
PAULA CHIES SCHOMMER
GRAZIELA DIAS ALPERSTEDT
CÉLIO TURINO
CAROLINA ANDION
CLARISSA STEFANI TEIXEIRA
ALESSANDRA FONSECA
paineis do quinto planeta.doc conferência
Entre 22 e 25 de setembro, o Planeta.doc Conferência vai transformar Florianópolis em um polo de ideias, experiências e encontros dedicados à regeneração do planeta e à construção de uma nova relação entre sociedade e natureza.
A programação contará com três paineis principais, que articulam grandes eixos de transformação:
- Bens Comuns e a Virada Biocêntrica;
- Cidades Sustentáveis, Florestas e Água;
- Inovação Social, Impacto e Economia Regenerativa
A conferência reunirá pensadores, cientistas, pesquisadores, artistas, ativistas e estudantes para imaginar futuros possíveis e fortalecer ações concretas frente à crise socioambiental.
BENS COMUNS E A VIRADA BIOCÊNTRICA
Em todo o mundo, multiplicam-se os programas de inovação para a preservação da vida. Soluções estão sendo geradas em setores tão diversos como energias renováveis, biotecnologia, reciclagem, materiais biodegradáveis, mobilidade urbana, construções sustentáveis, agricultura de baixo carbono e nos processos industriais em geral. Cresce ininterruptamente o conhecimento científico e interdisciplinar sobre o funcionamento da Terra como sistema vivo, assim como se aprofundam os movimentos sociais vinculados à ecologia, que compreendem a natureza como bem coletivo, cujo modo de apropriação e gestão deve ser objeto de debate público e de controle social. Simultaneamente, ganha força na América Latina a proposta de reconhecer a natureza como sujeito de direitos, deslocando o olhar antropocêntrico em direção a uma perspectiva mais ampla e biocêntrica.
Este conjunto intrincado de experiências constitui o amálgama através do qual se desenvolve uma nova cultura planetária, que conjuga o avanço tecnológico e científico e social à renovação epistemológica da razão de ser e habitar o mundo.
A virada biocêntrica é uma resposta à crise ecológica e à necessidade de um novo marco civilizatório. Vivemos um momento sócio histórico marcado por uma profunda multiplicação dos riscos naturais e tecnológicos e pela permanente presença da incerteza, ambos característicos da modernidade avançada.
A crise ambiental civilizatória pluridimensional que vivenciamos, mais que “ecológica”, é produto das contradições de nossa racionalidade. A crise ambiental revela a todo instante, e de diversas maneiras, as contradições do projeto cultural inspirado na ideia de progresso, na razão instrumental e numa compreensão de mundo dualista.
A virada biocêntrica é uma mudança de paradigma que coloca a vida no centro, em detrimento do antropocentrismo.
Os bens comuns são recursos que podem ser acessados por todos e que beneficiam a sociedade. Eles podem ser naturais, sociais, intelectuais ou culturais.
Exemplos de bens comuns naturais: Ar, Água, Terra, Florestas, Biodiversidade.
Exemplos de bens comuns sociais: Sistemas de saúde e educação, Segurança pública, Justiça, Parques e áreas verdes.
Exemplos de bens comuns intelectuais e culturais: Conhecimento, Tecnologia, A internet, Literatura, Música, Valores culturais e artísticos.
Exemplos de bens comuns na prática: Gestão de áreas de pesca, Gestão de parques e áreas verdes, Software livre, Acesso aberto ao conhecimento.
O biocentrismo defende que todos os seres vivos têm valor intrínseco e que a vida deve ser protegida.
Princípios biocêntricos:
- Considerar a natureza do ponto de vista filosófico, econômico e jurídico;
Promover a proteção dos seres vivos;
Não utilizar os animais apenas com fins lucrativos;
Priorizar a conservação e evolução da vida;
Estimular o desenvolvimento afetivo;
Promover o consumo racional de recursos renováveis e não renováveis;
Incentivar o consumo consciente;
Gerenciar os resíduos produzidos e seus impactos no meio ambiente;
Valorizar, conservar e preservar as riquezas regionais;
Promover a liderança inovadora e participativaA postura biocêntrica aceita a pluralidade de valores, aceita o valor econômico, o valor de utilidade, mas revela outros valores antes inferiorizados por esse valor de utilidade, como os valores históricos, estéticos, religiosos, culturais e tradicionais.
A crescente complexidade dos desafios urbanos contemporâneos exige abordagens integradas que superem a fragmentação disciplinar. A conferência Cidades Inteligentes, Florestas e Água propõe refletir sobre os vínculos profundos entre planejamento urbano, conservação ecológica e gestão hídrica à luz das transformações tecnológicas e climáticas do século XXI. Pesquisas recentes demonstram que cidades inteligentes — quando orientadas por princípios de sustentabilidade e justiça socioambiental — podem se tornar catalisadoras da preservação dos ecossistemas naturais, sobretudo florestais, promovendo soluções baseadas na natureza para o enfrentamento da escassez hídrica, da poluição e das ilhas de calor. Modelos preditivos apoiados por inteligência artificial e sistemas de sensoriamento remoto têm permitido o mapeamento em tempo real de interações entre cobertura vegetal, regime de chuvas e qualidade da água nos territórios urbanos e periurbanos.
Ao reconhecer florestas e corpos hídricos como infra estruturas vivas essenciais ao funcionamento das cidades, pesquisadores têm defendido a adoção de políticas públicas integradas que incorporem os saberes da ecologia urbana, da engenharia ecológica e da ciência da computação, além da participação das pessoas. Iniciativas recentes, como o monitoramento climático por redes de sensores distribuídos, o uso de dados geoespaciais para o planejamento verde-azul urbano e os sistemas de alerta precoce para eventos extremos, apontam para novas possibilidades de gestão territorial, que não podem estar desvinculados de processos colaborativos de cidadania e de participação. Este paradigma valoriza a complexidade e a interdependência entre os sistemas naturais e antrópicos, promovendo cidades mais resilientes, inclusivas e regenerativas. A conferência se coloca, assim, como espaço de encontro entre ciência, inovação e ação política, contribuindo para o desenho de futuros possíveis onde natureza e urbanidade coexistem em equilíbrio dinâmico.
Dados divulgados pela ONU revelam que, até 2030, aproximadamente 5 bilhões de pessoas viverão nos centros urbanos, o que corresponde a 60% da população mundial. Contudo, em boa parte do Brasil e do mundo, a falta de planejamento para comportar o crescimento acelerado de novos moradores é um assunto delicado, especialmente quando se trata de saneamento básico e distribuição de água potável. Diante desse cenário, cresce a necessidade de pensar a cidade não apenas como um espaço físico, mas como um ambiente de convivência, justiça social e bem-estar coletivo — uma cidade para as pessoas. Esta perspectiva reforça a importância da participação cidadã nos processos de tomada de decisão e formulação de políticas públicas, garantindo que as transformações urbanas atendam às necessidades reais da população. Nesse contexto, difunde-se o conceito de smart cities não apenas como cidades tecnologicamente avançadas, mas como territórios que integram inovação com inclusão social, governança participativa e sustentabilidade, promovendo o direito à cidade para todos.
Esse é apenas o começo de uma revolução tecnológica, que terá como pilar um conjunto de “tecnologias exponenciais”, como robótica, inteligência artificial, impressão 3D, internet das coisas, medicina digital, neurotecnologia, nanotecnologia, biologia sintética e energias renováveis. Essas e outras plataformas tecnológicas têm o potencial de mudar, radicalmente, a forma como produzimos, vendemos, consumimos, nos comunicamos e nos relacionamos. No campo da indústria, um novo modelo de produção irá emergir com possibilidades de eliminação de postos de trabalho, substituição por robôs e customização em massa. Novos conhecimentos e habilidades precisarão ser desenvolvidos em um curto espaço de tempo. Esse cenário impõe o desafio de democratizar o acesso às tecnologias e fomentar a inovação social como estratégia para que essas transformações atendam às necessidades coletivas e reduzam desigualdades. A cidadania ativa e a participação da sociedade civil se tornam centrais para orientar essa revolução tecnológica rumo à construção de uma economia regenerativa — uma economia que, em vez de explorar recursos e marginalizar populações, valoriza a cooperação, o cuidado com os bens comuns e a regeneração dos sistemas sociais e ambientais.
Abre-se, então, amplo leque de desafios e oportunidades para a criação de uma economia regenerativa.
No contexto da racionalidade ambiental, proposta por Enrique Leff, é possível uma nova estratégia ideológica que confronte os fundamentos da racionalidade econômica dominante.
Enquanto esta última está baseada na lógica da maximização do lucro, crescimento contínuo e instrumentalização da natureza, a racionalidade ambiental propõe uma reorganização da produção, consumo, ciência e política com base na justiça social, equilíbrio ecológico e diversidade cultural.
Essa racionalidade crítica defende a democratização das decisões, a valorização de saberes locais e a construção de um novo paradigma civilizatório, orientado pela sustentabilidade e pela ética da vida. A construção de uma racionalidade ambiental é um processo político e social que passa por um confronto de interesses opostos, pela necessidade de uma reorientação das tendências (dinâmica populacional, racionalidade do crescimento econômico, padrões tecnológicos e práticas de consumo). Pela ruptura de paradigmas epistemológicos vigentes, principalmente pela iniciativa de organização produtiva das inovações, dos métodos de pesquisa e da produção de novos conceitos e conhecimentos.
Confira Edições Anteriores
Veja as edições anteriores










